Gerentes, coordenadores e supervisores, meu coração está com vocês. 🧡
Antes de eu entender meu propósito com o trabalho, eu sempre achei que quando chegasse a uma posição de #liderança eu teria voz e #autoniomia para mudar todas as coisas erradas que eu via acontecer, especialmente relacionadas aos #clientes.
Foi que me tornei gerente, e pensei: pronto, agora eu tenho experiência de trabalho e de vida, vou mudar alguma coisa. E o que encontrei foram reuniões mais frequentes e extensas, sempre um “ppt” para eu fazer ou ajustar e muitas planilhas para preencher. E pasmem: algumas empresas e anos depois quando me tornei gerente sênior, tudo igual.
Comecei a viver uma rotina de entrar na empresa muito entusiasmada e com o tal “brilho no olho”, que ia se apagando em cada reunião em que eu não podia falar ou não era ouvida – ou pior nem deveria estar.
🟠 Cheguei a conclusão que a média gestão é um limbo infinito.
O trabalho operacional é tanto e toma tanto tempo que não temos tempo para evitar os problemas que passamos 90% dos dias discutindo em reuniões frequentes, longas e muitas vezes sem razão de ser. Autonomia é declaradamente inexistente em algumas empresas e em outras é uma “narrativa”, mas a prática é “alinhamento” – que significa ter que pedir permissão para qualquer coisa que você pense em fazer.
🟠 Então eu pensei, é comigo. Eu devo estar fazendo tudo errado.
Daí em 2021 resolvi fazer uma pesquisa nos grupos de líderes e gestores que participo, onde ouvi em um formulário quantitativo 113 pessoas e entrevistei 34. E pra minha surpresa, não importava o perfil da pessoa ou a empresa onde trabalhava as principais reclamações em essência eram exatamente as mesmas:
🟠 Falta de autonomia para liderar o time e buscar os resultados.
🟠 “Micro gerenciamento” de atividades por parte dos superiores.
🟠 Trabalho de bombeiro, e falta de tempo para atuar nas “causas raízes”
🟠 Muito trabalho operacional pra fazer e um senso de que tudo é urgente.
🟠 Agenda tomada por reuniões, tendo que fazer o trabalho depois do horário.
🟠 Falta de autonomia para liderar o time e buscar os resultados.
Quando perguntei sobre o que poderia levar ou já levou estes líderes a buscarem outras empresas, dois pontos me chamaram muito a atenção:
🟠 A necessidade de lidar com muita hierarquia, politicagem interna e favoritismos.
🟠 Uma grande insegurança com seu futuro na organização e um sentimento de invisibilidade.
Temas com os quais também sempre tive que lidar com certo cuidado, que horas me atrapalharam e que pude observar atrapalharem outras carreiras também. Quando a gente começa a trabalhar em uma empresa, somos atraídos pela forma como seremos “recompensados” (salário, benefícios, etc.), sim; mas também pelos desafios (ou conforto) do trabalho que iremos realizar, então quando chegamos lá e isso não acontece, ficamos frustrados.
🧡 Sobre o perfil de quem respondeu o questionário:
🟠 Foram 113 pessoas de 6 estados e 14 cidades diferentes.
🟠 A média de idade vario de 26 até 62 anos, sendo a maioria na faixa dos 40.
🟠 23% trabalham em empresas familiares, 8% em startups e 69% em médias e grandes empresas com perfil tradicional. Os segmentos mais presentes foram de tecnologia, indústria e serviços.
🟠 Mais de 10% foram desligados na pandemia e 42% trocaram de emprego espontaneamente nos últimos 3 anos, sendo os principais motivos: ambiente tóxico, trabalho excessivo e chefes “ruins”.
Pensando em tudo isso entendi que o problema é muito maior que o tal “fit cultural”, que eu pensava algumas das empresas por onde passei. A grande questão também não estava em uma empresa ou na outra. Hoje consigo ver que o grande problema começa na forma como os times são construídos, passa pela maneira como os resultados são mensurados e as pessoas são reconhecidas e termina na construção social de onde viemos forjada no pós guerra onde o trabalho tinha outra perfil.
“Eu só quero fazer o meu trabalho.”
Foi a frase que mais apareceu literal ou indiretamente no campo de comentários da pesquisa.
🧡 Nas entrevistas descobri muitas coisas interessantes e pude mudar de opinião:
🟠 Muitas das pessoas com quem conversei tinham mudado de emprego muitas vezes nos últimos anos e sentiam que isso as prejudicava na carreira. Mas mesmo mudando de empresa os cenários eram muito parecidos.
🟠 Das 34 pessoas com quem conversei, 9 desistiram de carreiras de liderança e estão se especializando em áreas específicas como Cloud Computing, Ciência de Dados e Educação. Mais da metade já considerou ou considera sair “do mercado” para empreender. Quase todas iniciaram ou retomaram os estudos de idiomas para trabalhar para empresas estrangeiras, e não apenas pelo dinheiro, mas pela cultura também.
🟠 5 pessoas estavam na mesma empresa há mais de 15 anos, quando perguntei sobre os motivos, o motivo comum a todos foi “por do dia a dia e relacionamento com os colegas “.
🟠 Quando perguntei sobre sentimentos, “felicidade” não apareceu na conversa com nenhuma das pessoas. “Ansiedade” e “Insegurança” foram os sentimentos que mais apareceram, seguidos por “Tristeza” e “Frustração”.
A média gestão está exausta em um momento que deveria estar atenta e criativa para redesenhar o seu papel em um novos e futuros jeitos de trabalhar, a sua entrega de valor acontece de outra forma. Vemos squads, tribos e órbitas se formando e entregando resultados e vemos a média gestão desconectada, perdida e insegura.
Esse foi um dos principais motivos pelos quais escolho #DesignOrganizacional como tema de estudo principal para este ano. Precisamos trabalhar de forma que a liderança seja inspirada e inspiradora, que os líderes entendam seu real papel e não estejam a margem ou a beira de um #burnout.
🟠 Porque a liderança tem cada vez menos a ver com cargos e muito mais a ver com influência. E muito mais humana do que digital, com muito mais tempo pra ouvir e pensar do que arquivos para preencher.
Quero muito saber se você se identifica, ou o que tem visto por ai.
Lembro que aqui falo apenas do que ouvi, do que conheço e do que vivi. E espero que muita gente venha desafiar o que explanei aqui com historias bacanas e ótimas jornadas.